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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Um Menino, seu Saco de Pães e a Garota de Sírius - IV Capítulo




Por entre as frestas da madeira apodrecida, o trio espia a cena de um crime. O que acreditavam ser a vítima encontrava-se caída, já sem vida, debruçada sobre um monte de folhas. Sua identidade é especulativa; branco ou negro, homem ou mulher, velho ou criança, impossível dizer. Do tórax pra baixo não havia mais corpo. Melhor dizendo, parecia uma geleia a diluir-se. A atenção do trio muda, vagarosamente, para a criatura esguia parada próxima do cadáver.
Viam algo de aparência humanoide. De altura calcularam 1,80. O corpo era magro escamoso, similar a uma cobra, emitindo um brilho verde fosforescente. A cabeça era pequena, de formato oval, sem cabelo ou orelhas, sobrancelhas ou nariz. Os olhos eram redondos e pequeninos, como duas bolinhas de gude, e a boca larga e descarnada.
Rafael sente algo extremamente ruim debatendo-se em seu estômago. Adriano imagina se sairiam dali com vida. Em caso afirmativo, aceitaria de bom grado o castigo de sua mãe, mesmo que significasse passar o resto da vida preso dentro de casa. Em caso negativo, será que alguém acharia e reconheceria seus restos mortais? As emoções de Bernardo podem ser descritas como um misto de fascínio e pavor. Estava diante do Santo Graal da Ufologia. Sem dúvida “aquilo” abalaria os alicerces da comunidade científica, religiosos precisariam rever seus dogmas. Acima de tudo isso, duas coisas ficaram evidentes. A primeira é que ETs existiam e não eram bonzinhos.  
SSSSSSSSSS - O som sibilante vinha do lado oposto a do trio, próxima do ET. Rafael apertou com força o skate embaixo do braço, Adriano deixou escapar um inaudível “Ferrou”. Bernardo esfregou os olhos até machuca-los. Era verdadeiro o segundo ET que viu surgindo da vegetação, silencioso tal qual um gato. Seria possível uma colônia alienígena estar vivendo ali?
Se ali havia dois tipos distintos - um casal - era impossível dizer, pois um parecia o reflexo do outro, sem nada em sua anatomia que servisse para identificar macho ou fêmea.  O segundo ET aproxima-se de lado do primeiro, não o encarando. Então ele faz algo que deixa Bernardo intrigado: colocou fora sua língua bifurca, como querendo experimentar o ar. De repente, Bernardo sente que corriam perigo. Se aqueles ETs tinham morfologia ofídica, então a língua bifurca deles desempenharia a mesma função do das cobras; sentir odores.
Bernardo puxa levemente Adriano pela camisa, que entende que deviam partir. Ao cutucar Rafael, foi como se acionasse forças invisíveis que o menino lutava querer liberá-la. A coisa que se revirava no estômago do garoto galga seu caminho para a liberdade, do esôfago até a faringe, saindo pela boca na forma de vômito.
Bernardo e Adriano congelaram. Quando Adriano tomou coragem para checar se os ETs tinham-nos detectados, um deles, com incrível agilidade, já corria sentido a eles. Subindo no tronco caído, a criatura os observa com curiosa atenção. Sem reação, os meninos mantêm-se imóveis.
Surpreendentemente, Rafael é quem toma a iniciativa. usando o skate, golpeia o rosto da criatura, que se desequilibra e cai, debatendo-se feito um pássaro abatido.


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O ato de bravura é efêmero. Os meninos não ousam olhar e ver se as criaturas estão no seu encalço, correm o mais rápido que suas pernas conseguem.
Rafael e Bernardo pareciam ter incorporado avestruzes. Adriano estava particularmente mais lento. E quando o saco de pães enganchou-se num galho, ficou definitivamente para trás.
Faria sentido se largasse o saco de pães. Afinal, uma mãe sensata compreenderia que seu filho querido precisou deixar os pães do lanche para evitar de servir de comida para criaturas reptilianas alienígenas. Porém o menino não ia desistir. Ao puxar com todas as forças, o saco plástico veio junto com um galho coberto de espinhos. Nem um cantor amador no Karaokê teria dado um berro tão alto como de Adriano. O ferimento é superficial, mas este não era o problema. Um dos ETs o encontrou.

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