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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Um Menino, seu Saco de Pães e a Garota de Sírius - V Capítulo



Ignorando o comando instintivo que dizia “corra” ao corpo, Adriano fica imóvel. Aos pouquinhos foi-se se erguendo, até ficar ereto, o tempo todo olhando a criatura nos olhos, sem piscar uma vez sequer. Não eram olhos que podiam ser considerados atraentes, longe disso. Redondos e miúdos passavam uma impressão desconfortante de se estar olhando e sendo observado por algo de natureza ardilosa e ruim. E mesmo seu intimo o alertando do perigo que corria, Adriano não conseguia deixar de olhar, como admiração, aqueles olhos.
Na sua visão, a criatura de aspecto reptiliano parecia algo sagrado, impossível de explicar em palavras, contornado de uma luz resplendorosa, a própria personificação da glória. Tal luz crescia em pujança, clareando a vegetação próxima. O corpo da criatura é reduzido a um contorno escuro, caindo aos pedaços aos pés de Adriano. O menino demorou a perceber o que realmente tinha acontecido. Como quem acabara de acordar de um sonho, olhou assustado o chão a sua frente, vendo os restos mortais da criatura. Ergueu os olhou e viu o que só pode imaginar ser um fantasma.
Num baque, todo raciocínio antes suprimido, voltou com força total. Adriano pôs-se a correr com tamanha energia, que seria um desafiante a altura de Usain Bolt para o título de novo campeão na corrida dos cem metros rasos. Cortando o mato como uma flecha, só parou ao quase esborrachar a cara no muro. Estava na direção certa, pois viu um pedaço da perna que identificou como sendo de Bernardo, passando pelo buraco. Seguiu-o.
- E Rafael?!
- Já se mandou!! – Disse Bernardo, machucando a perna ao escorregar o pé no pedal.

O peso extra de Adriano pareceu não fazer diferença, Bernardo pedalava como se estivesse sozinho. No caminho de volta os dois não se falam. Obviamente assustados com o que viram, só desejavam voltar para casa e enfiar-se debaixo das cobertas.


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Adriano pediu a Bernardo que parassem na esquina de casa – não queria que o amigo visse a bronca que levaria de sua mãe caso ela estivesse esperando no portão de casa. Exatamente que horas eram não sabiam. Devia ser tarde porque não havia mais sacos de lixo enfrente as calçadas das casas. O lixeiro já tinha passado.
- Até amanhã.
- Até qualquer dia. – Corrigiu Adriano, ciente do preço que pagaria pela longa ausência seria um cárcere indeterminado. – Tenta descobrir se Rafael chegou em casa.
Bernardo ainda acenou com a cabeça, desejando boa sorte, tomando o caminho oposto ao qual viera. Agora era Adriano, sua mãe e uma noite tentando explicar o inexplicável.


Ao se aproximar do portão, viu um bilhete grudado.






Adriano conhecia a amiga de sua mãe, a “vizinha” Maria do Carmo, que não era tão “vizinha” assim, dada a casa desta ficar no finalzinho da rua. Era comum ambas se visitarem, principalmente sua mãe, que tinha disposição para ir a casa de Maria do Carmo levar roupinhas ou qualquer coisa para as duas menininhas da amiga.  

De repente, um estranho ânimo avivou-se em seu rosto. Se sua mãe deixou aquele bilhete, então ela deve ter saído algum tempo depois dele próprio ao ir a padaria comprar o pão. Significa que não precisaria explicar sua ida ao parque municipal, pelo menos por enquanto. Era bom porque ele não tinha ideia de como iria explicar aquela história.
Entrou na cozinha, tirou os pães de dentro do saco estropiado e os colocou no cesto. Pegou um copo, encostou-se a pia junto ao bebedouro. Sentiu-se saciado com o decimo copo d’água.

Cansado, decidiu ir para o quarto. Foi nesse trajeto que deu-se por falta de algo; Sabão ainda não apareceu. O cachorro não ficava do lado de fora desde quando a vizinha tentou envenená-lo. Após uma “calorosa” discussão com sua mãe, a mulher terminou que por se mudar, e Sabão passou a ficar sempre dentro de casa, saindo apenas quando ou Adriano ou sua mãe estavam em casa. Ainda filhote, com 2 anos, qualquer um que entrasse na casa, logo ele surgia para fazer festa. Se o bichinho não tinha aparecido, Adriano só conseguia imaginar duas hipóteses (uma pior que a outra). Ou ele fugiu, ou foi roubado. Se fosse o caso fazia sentindo sua mãe ter saído, mas ter-se ido encontrar com Maria do Carmo... Simplesmente não encaixava.


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Imaginando o pior, correu apavorado até o quarto. A primeira coisa que viu, ao abrir a porta do quarto, foi um tufão peludo de quatro pernas. Sabão, seu cãozinho vira-latas, pulava a seus pés, alegremente. O bichinho, porém, não era a única coisa viva ali dentro. Parada próxima à janela estava à coisa que viu no parque.
O "Fantasma" o seguira.

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