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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Um Contador de História




Como nasce um contador de histórias? Do modo mais simples possível, contando fatos. Você não precisa quebrar a cabeça imaginando um cenário fantástico para sua história. Até algo simples como voltar da padaria, pode render um enredo e tanto.




Um Menino, seu Saco de Pães e a Garota de Sírius - I Capítulo



Depois de comprar meia-dúzia de pãezinhos, Adriano voltava para casa. Já era um homenzinho, diziam os pais que já lhe confiavam pequenas tarefas, como limpar o jardim, lavar a louça ou dar banho no Sabão - o cãozinho vira-latas. Adriano gostava de ser prestativo, e sempre que podia ia a padaria. Era bom aquele gostinho de liberdade. Apesar da casa ficar cinco quarteirões da padaria e com frequência, ao voltar, sua mãe o esperava da janela, o menino não chiava.
No caminho, encontrou com os amigos Rafael e Bernardo. Não eram muito mais velhos que Adriano, mesmo assim os pais destes já deixavam que andassem sozinhos, desde que em áreas pré-determinadas - quadra de futebol, fliperama ou parque municipal.
- Ta a fim de ir até o parque? - Convidou Rafael segurando o skate.
- Vão jogar bola? - Perguntou Adriano.
- Melhor que isso. - Disse Bernardo animado, montado em sua bicicleta. - Vamos ver um "ET".
Adriano arregalou os olhos - Um ET de verdade?!
- Bem, não sabemos se é de verdade, vamos lá checar.
Adriano ainda parecia não acreditar.
- E como é que vocês sabem que tem um ET lá? 
Rafael respondeu com uma pergunta. - Se lembra daquela chuva de meteoros semana passada?
Adriano acessou o banco de dados da memória e se lembrou. Desde o comecinho do mês, canais de televisão vinham noticiando uma Chuva de Meteoros para o dia 14. De fato, na data em questão, noite clara, ocorreu o evento cósmico que foi possível acompanhar a olho nu.
- Lembro sim, mas o que tem isso a ver?
- Dizem que na mesma hora da Chuva de Meteoros, algo caiu lá no parque. - Narrava Bernardo, caprichando no ar de mistério. - Pensavam que podia ser um meteoro, mas não é.
- E como você sabe?
- Tem gente que diz enxergar uma luz. - Continuou Rafael. - Algo meio esverdeado vagando por entre as árvores. Dizem que costuma aparecer no fim de tarde.
Adriano não precisava checar as horas para saber que era tarde. O sol jogava um laranja aguado por todo horizonte e o ar já soprava um friozinho familiar. Em duas ou três horas, a noite cairia.
- Vocês estão pensando em ir ao parque a essa hora?
Rafael e Bernardo trocam olhares cumpliciosos de "sem dúvida".
- Mas e seus pais? Deixaram? 
- Não vamos demorar. - Disse Rafael, acrescentando. - Vamos dar uma olhada, se não virmos nada voltamos.
Mesmo a história toda parecendo só um pretexto para ficar mais tempo fora de casa, Adriano estava tentado. O problema era o saco de pães para o lanche que sua mãe mandou comprar. Ainda que não cronometrasse o tempo que o filho levava para ir e voltar da padaria, Adriano relutava em abusar da confiança da mãe.
- Vamos só dar uma olhada e voltamos?
- Isso. - Disseram ao mesmo tempo Rafael e Bernardo.
Adriano se convence. Se daria uma espiada rápida, não faria mal demorar além do habitual para chegar em casa. Qualquer coisa, pensou, diria que o caixa da padaria estava muito cheio.
E lá foram eles; Rafael em seu skate, Bernardo em sua bicicleta levando junto Adriano - que segurava o saco de pães. A emoção de talvez encontrar algo desconhecido, superavam a precaução. Atravessando o cruzamento na faixa de pedestres, o trio toma o caminho oposto ao bairro, tomando distância do tráfego de veículos, do buzinaço e o blábláblá. Quando Adriano olha para trás, para ter noção do quanto se afastaram, as casas estavam tão longe que só eram visíveis pequenos pontos luminosos. 


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Viram? Uma história pode ter emoção aproveitando fatos dos mais improváveis. Foi justamente assim que nasceu meu primeiro gibizinho. Um trabalho de escola para a 5ª série. Podia ser feito em grupo ou dupla. Meu amigo ficou responsável pela revisão e eu pela edição. A história girava em torna de um office-boy sonhador decidido a passar a perna no relógio.




Isso que vocês veem ai do lado esquerdo é uma relíquia de tempos imemoriais (risos). Feito em papel sulfite e grampeado, as frases foram redigidas em máquina de escrever. A imagem de um relógio de pêndulo é meramente ilustrativa, porque no gibi ele era um relógio despertador (como esse aqui).






Apesar de conter uns erros de português, esse trabalho nos fez ganhar um "A". Quem vê pode dizer que a professora foi boazinha em ter dado uma nota boa (boazinha até demais). Mas o objetivo desse projeto não foi reconhecer potenciais escritores/ ilustradores. Foi fazer algo que cada vez menos se nota: estimular a imaginação.
"Naqueles tempos", década de 90, as coisas eram mais simples, digamos assim. Computador
(quem tinha) era usado para se jogar joguinho e olhe lá. As escolas estimulavam a criatividade dos alunos. E os alunos (a maioria) se sentiam estimulados. Hoje meio que banalizamos a importância de exercitar a criatividade precoce.
Obs: Trabalho foi tão bem aceito que a professora duvidou que tivéssemos feito sozinhos.



Saber desenhar segue o mesmo conceito. Antigamente, meus desenhos não eram melhor que isso. Desenhar pessoas nunca foi minha especialidade. Um círculo, encima dum palito, com duas varetinhas como braços e pernas e tava pronto o personagem. Desenhar animais também era um martírio. Conseguia desenhar razoavelmente bem o corpo, mas braços/ mãos/ pernas e pés sem chance. Para superar essas limitações tive que usar a comum e velha arte de treino. E ainda estou a treinar. 







Meu amigo de fuço molhado Rex (mistura de Rask com vira-lata). Maluco como não tem igual.


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